A tristeza é uma coisa muito especial, de tão indefesos que ficamos diante dela. É como uma janela que se abre apenas quando lhe apetece. A sala fica fria, e não podemos fazer mais nada do que tremer. Mas abre-se um bocadinho menos de cada vez; e um dia perguntamo-nos o que é que lhe aconteceu.
Em Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden (p. 288)
As pessoas à minha volta, as que me querem bem e mesmo as que não querem, mas simplesmente não conseguem ficar caladas, estão sempre a dizer coisas do género "tens de ter paciência", "tens de ser forte", "a morte faz parte da vida", "já eram 88 anos", "com o tempo fica mais fácil". Às vezes, só me apetece mandar-lhes dois berros. Eu não quero ter paciência, não quero ser forte e não quero que fique mais fácil. Pronto. Eu gosto da tristeza - chamem-me masoquista, se quiserem - , mas com a tristeza vem a dor, aquele aperto na boca do estômago que parece que me faz sufocar, mas que torna tudo mais real. Lembra-me o quanto sinto a falta dele, o quanto o amo. Por isso, se eu preciso de ser triste, deixem-me ser triste. Porque eu não me quero sentir melhor, quero sentir-me mais perto. Perto de ti, avô.
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