Sabem aquela expressão que, de vez em quando, surge na boca de um vizinho ou de um amigo, na forma de um desabafo magoado ou até irado sobre algum membro da sua família biológica - "nós não escolhemos a nossa família"? Bom, se me tivessem dado a escolher quem seria o meu avô materno, eu teria escolhido, de todos os potenciais e maravilhosos avôs do mundo, sem qualquer hesitação, o meu avô, ele próprio, sem tirar nem pôr - José de Carvalho, de sua graça.
Cliché ou não, o meu avô era o melhor avô do mundo, era-o para mim. Estão a ver aquele tipo de avô que "estraga" os netos com brinquedos, mimo e indulgência? Pois, o meu avô não era nada assim. Era antes um avô de sorriso franco que se predispunha a escutar-nos e a ensinar-nos valores, pequenas lições de vida para nos tornarmos melhores pessoas. O meu avô era aquele tipo de avô que me perguntava, assim que eu chegava a casa e depois de lhe dar um beijo, "como é que te correu o dia?", não de uma forma banal, como quem comenta o tempo, mas olhos nos olhos, com verdadeiro interesse em saber se eu estava bem. Era um avô preocupado, atento e presente.
E é dele que vos falo, de hoje em diante, porque se há pessoa que merece ser recordada, essa pessoa é o meu avô. E eu vou recordá-lo sempre.
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