No olhar do meu avô eu reconhecia o orgulho que ele sentia em mim. Ele nunca mo disse expressamente e também nunca foi preciso. Eu via e sentia-o e isso incentivava-me a tentar ser cada vez melhor, porque sabia que estaria alguém à minha espera para compartilhar o meu triunfo, para me ouvir e para me aconselhar. Era a única pessoa que me fazia sentir desta maneira e eu perdi-o. E agora não tenho ninguém para quem correr a contar uma novidade boa, alguém que eu sinta que o queira verdadeiramente saber, como acontecia com ele e isso deixa-me tão triste, tão profundamente triste. E não adianta ir ao cemitério ajoelhar-me na sua lápide fria cinzenta-escura ou pegar num dos seus retratos e pôr-me a falar para o ar, porque ele não me responde, não agarra nos meus braços para me encorajar, não me devolve o olhar com aqueles olhos brilhantes emocionados. Eu preciso do meu avô. Dele, inteiro, vivo. Eu preciso dele, eu quero-o tanto de volta! Eu não consigo dizer a falta que ele me faz. E eu tenho a certeza que ele quer tanto voltar como eu quero que ele volte. Se ele pudesse, se eu pudesse. Se eu pudesse fazer qualquer coisa, qualquer coisa!
P.S.: Não era nada disto que eu tinha em mente para escrever. Mas não podia ser mais verdadeiro.
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